Sofas all around
Olhos, ouvidos e sensações brasileiras descontínuas em Berlim - Brasilianische Augen, Ohren und diskontinuierliche Sinne in Berlin
Wednesday, October 16, 2013
Wednesday, February 27, 2013
Grito Rock Berlin
Este festival é para quem grita de alegria quando encontra uma alternativa para o axésertanojouniversitariopagode e todo o som que vem do carro do seu vizinho a um volume de espantar aviões caça da horta durante o carnaval. E de tão bom que é, depois dele também.
GRITO ROCK nasceu desta necessidade cultural, nasceu Brasil e já virou mundo, nasceu e viverá múltiplo nas cabeças que organizam e na inteligência do sistema: uma plataforma fantástica cheia de gritos: fora o rock mesmo, que dá a base sonora para o grito, gritam também a moda, a gurizada, gritam gays e camelôs, basta conferir o SITE DO GRITO.
Mas o que eu queria falar mesmo é do Grito Rock Berlin, organizado pela minha xará Laura Leiner, trazendo muitas surpresas e caras conhecidas da área, tudo isto neste sábado dia 02.03 e começando já a partir das 17:00, porque é preciso tempo para experienciar esta coletividade toda! O endereço é:
Acker Stadt Palast
Ackerstrasse 169, Berlin-Mitte
(hinter dem Schokoladen) U8-Rosenthaler Platz
E aqui vão alguns vídeos e audios pra esquentar:
Sunday, February 24, 2013
Não vou postar a noite de Berlim no Livro das Caras
4:30 da manhã: sono para alguns, hora de procurar o Absturzlokal mais próximo para outros.
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| Janine Eisenächer botando o som am Flutgraben |
Voltando da festa da Janine am Flutgraben, à nossa frente na calçada andava um grupo divertido: um cara tocando violão, outras três figuras cantando junto, improvisando. Nos divertimos com quem passava na direção contrária pelas quatro pessoas e nos olhava rindo, enquanto nos sentíamos levadas pela ginga do violonista. Mantivemos uma distância até a estação Schlesisches Tor, quando eles pararam na calçada e entraram em êxtase, da improvisação já fazendo parte gritos de guerra contra o frio que reinava.
Foi quando comecei a filmar a cena (uma música na cabeça e uma câmera na mão). Demorou um pouco, mas o violonista me pegou apontando minha lente para seus amigos: sem parar de tocar, ele esperou o momento musical perfeito para introduzir a frase: "You can post it on facebook if you want". E continuaram cantando, esperando o metrô chegar.
O festerê chegou ao fim e nos apresentamos (duas Lauras brasileiras) conversamos um pouco até que subimos as escadas na direção da plataforma, que estava cheia, como em todas as noites de finais de semana em Berlim. O tempo passou, o trem chegou, também lotado, escolhemos um vagão mais vazio e entramos. A porta estava quase fechando quando irromperam no trem os quatro cantores, que se alegraram ao ver-nos e continuaram com o êxtase musical ("Brasil, oh Brasil"), no violão uns acordes pouco pretensiosos da Garota de Ipanema: ele não parecia ter esperanças de que seria acompanhado com letra completa. De uma introdução à outra, o violonista de memória musical refinada começou a cantar o riff do Benjor, que foi regravado em nova versão por Sergio Mendes featuring Black Eyed Peas na canção oficial da Copa do Mundo na Alemanha. O som do Black Eyed Peas hoje (em hits como o novo Scream and Shout) soa super sintética e bem pouco gingada, com melodias melodyne dominando a topografia tonal, ou seja, nada a ver com a versão do Mas que nada. Desde então, todo mundo canta junto quando alguém começa o riff jorgebenjeano terminado em "obá, obá, obá", alguém aí tem dúvida sobre o que estou falando? Então googleia Black Eyed Peas Mas que Nada pra ver.
Voltando ao nosso episódio em Kreuzberg, o violonista em questão sabia a versão original, e eu soltei a voz e cantei as estrofes do Mas que Nada original, em mais uma improvisação espontânea - comum ao transporte público noturno de fim de semana berlinense - para toda a população do vagão. Na hora do refrão, a noite chegou ao seu ápice: TODO MUNDO conhecia o
oooooooooooooooooooooo oooooooooo aiaaaaaaaa iaiooooooo obá obá obá, e assim, O VAGÃO INTEIRO cantou junto até chegarmos no Kottbusser Tor! Deu até pena de sair do trem...
Não posto no Livro das Caras, mas no meu blog mesmo, aqui vai o começo da cena:
E aqui uma versão das antigas da época em que o Ben ainda vinha depois do Jorge:
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Thursday, January 17, 2013
Vendendo clientes
Outro dia escutei na rádio BBC de Berlim um comentário sensacional sobre a filosofia de trabalho do nosso amigo Livro das Caras: que o único produto desta empresa são seus "usuários". Achei ótima, porque ela me fez pensar em muitas coisas. Por exemplo comecei a perguntar-me, por que, ao traduzir a frase:
"whose only product are the users", para "users" eu tenho que pensar em "clientes"? Jà pensou? Ser cliente e...PRODUTO!, ao mesmo tempo? Genial, não é? Tenho que tirar o chapéu para a estratégia. Porém, por mais cheio de êxitos que seja o nosso amigo Pão de Açácar, algo me incomoda.
Para completar, quando contei esta história da BBC para uma amiga minha, ela lembrou-se na hora de outra afirmação a respeito do Livro das Caras, uma suposição não sei de quem (juro!), um tanto polêmica e radical. O autor discorre sobre sua tese, em que poderia imaginar qualquer pessoa ligado ao livro das caras no papel de colaborador da polícia secreta da antiga DDR. Hmmm...Todos? Com certeza não, e eu não consigo concordar com esta generalização extrema, mas com certeza eu acredito é na naividade de milhões de pessoas que estão vivendo (ainda) o boom da nova era, a das redes, da realização concreta da Aldeia Global de Huxley...SE todo mundo colaborar!
Colabore com a nossa pequena grande cidade, cheia de bairrinhos e mais cheia ainda de bairrismos, que eu inclusive adoro, mas não quando o bairrismo do lado é buuu. E neste sentido, não penso que o Livro das Caras influencie diretamente o bairrismo, e sim, que o bairrismo acontece no Livro, assim como na realidade. É claro, recebe novas formas, novos formatos, acontece em esquemas nunca dantes navegados, mas continua o mesmo bairrismo, com suas vantagens, desvantagens, ou nenhuma das anteriores.
Por outro lado, tudo o que se refere a diferenças comportamentais em anos de livro das caras ainda é um campo jovem. O efeito desta estrutura multimídia ainda está para ser sentido, à medida que o tempo passa, mas o que mais me assusta: à medida que o livro vai ficando espesso, à medida que milhões de pessoas estejam conectadas, é que estas conexões estejam sendo concebidas por uma pessoa só: o Marquinhos Pão de Açácar.
Eu disse concebidas, e pensei também na palavra "coordenadas". Acho que é aí que mora o perigo. Na verdade, na verdade, o Pão de Açácar não coordena diretamente as conexões, senão seria muito fácil acusá-lo de espionagem. Não, er ist doch nicht blöd, ele é um elegante autor de softwares. Sua estratégia é sutil, ele convence lentamente, leeeenta, len-ta-men-te, esperando sempre pescar alguém que tenha sucumbido à insistência. À insistência direta e ao seu efeito subliminar, que tem significados múltiplos.
Mas deixemos a insistência para outro dia e aprofundemo-nos na teoria sobre clientes-produto do site Makeuseof
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Friday, January 11, 2013
Regionalismos - Coisas que se fala em Santa Catarina, Curitiba e Porto Alegre
| © Laura Mello - Foto feita numa padaria na Guarda do Embaú |
Acho que entender os regionalismos é como conhecer um lugar através da linguagem local. Aqui 3 pérolas do youtube que mostram não só expressões como também hábitos específicos de Santa Catarina, Curitiba e Porto Alegre. Meus momentos preferidos:
Santa Catarina:
"- Não intica o cachorro"
"- Te pisasse?"
Curitiba:
"- Calçada lazarenta"
Porto Alegre:
O cara acendendo o álcool dentro da panelinha no banheiro em pleno inverno portoalegrense.
E o graxaím congelado, lógico! A fu!
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